A Fragilidade da Vida e o Dia em que Meu Corpo Me Fez Parar

A Fragilidade da Vida e o Dia em que Meu Corpo Me Fez Parar

Um desabafo sobre saúde, dor, medo e sobre como a vida pode ser frágil até demais.


Esse aqui talvez seja só um desabafo com a vida, que pode ser simplesmente muito frágil. Frágil até demais.

Recentemente, tive um problema de saúde que não era grave, mas começou em um domingo normal, em que fui fazer feira e meus pais foram almoçar na minha casa. Comecei a sentir uma forte cólica e, como é uma crise que já tive anteriormente, já sabia que era uma crise renal.

Fui para o hospital, fui medicado, fiz os exames e viram que eu tinha uma pedra. Depois fui para casa, e a médica me tranquilizou dizendo que a pedra já estava no ureter e iria sair. Ela sugeriu, inclusive, que eu fizesse alguma atividade física no dia seguinte para ajudar a pedra a descer logo.

Acontece que levei isso muito a sério.

Na segunda-feira à noite, fui para a academia e pulei, agachei, sambei, fiz de tudo para a pedra descer. Mas nada da pedra sair. Acabei dormindo sem sentir nada.

A crise mais forte

Na terça-feira, acordei como em um dia qualquer, mas tive outra crise absolutamente devastadora. Pensei comigo que a pedra iria sair em casa e tentei de tudo: caminhadas leves, pular novamente, me movimentar, mesmo sentindo dores incontroláveis que pareciam uma tortura.

A dor foi só aumentando, e o medicamento forte que tomei parecia não fazer efeito. Até que me rendi e decidi ir para o hospital. Liguei para o meu pai pedindo para ele me buscar, mas a dor ficou tão forte que eu me entreguei e debulhei em choro.

Chorar de dor é totalmente fora do contexto de chorar de emoção. É um choro de sofrimento doloroso, de sentir a dor e a vulnerabilidade. É um choro que te coloca em um lugar muito pequeno, muito frágil, sem controle nenhum sobre o próprio corpo.

Fui novamente para o mesmo hospital da primeira vez, mas estava tudo lotado. Falei com a minha esposa e tomamos a melhor decisão naquele momento: ir para outro hospital, o Niterói D’Or.

Chegando lá, implorei para me colocarem para dentro, porque eu não conseguia ficar mais um segundo sem tomar remédio. Tomei morfina na veia e a sensação foi de entrar no maravilhoso mundo de Alice. A dor passou quase em um minuto.

Ao fazer os exames, a médica constatou que a pedra estava obstruindo meu rim de uma maneira que não sairia a curto prazo. Com isso, indicou a necessidade de cirurgia.

A cirurgia e o pós-operatório

O urologista me explicou que a pedra principal tinha cerca de 0,7 cm e que fariam um procedimento para tratá-la e colocar um cateter. A cirurgia aconteceu sob anestesia geral e foi tranquila.

Costumam dizer que a dor da cólica renal é como a dor do parto. De fato, foi como se eu estivesse parindo um filho.

O médico me alertou que no dia seguinte poderia sangrar e que o cateter incomodaria, mas o período pós-operatório foi terrível. Eu sentia vontade de urinar a todo momento, um incômodo severo e hematúria. Toda vez que ia urinar, parecia que havia uma navalha me cortando por dentro.

Na revisão, recebi uma notícia que me abalou bastante: eu teria que operar de novo para retirar aquele cateter, porque ele não poderia ser removido em consultório, e colocar um novo.

Passei um mês com o cateter, lidando com cólicas constantes, dor constante e muita limitação para coisas simples, como dar uma pequena caminhada. Tive que correr atrás de vários exames para a segunda cirurgia, que era eletiva, aguardando o fim do antibiótico e lidando com a vergonha e o incômodo de urinar sangue constantemente.

O medo e a fragilidade da vida

Para essa segunda cirurgia, fiquei muito sensibilizado e reflexivo. Fiquei com medo de morrer, pensando na finitude da vida e em como somos apenas carne. A gente não lida bem com a morte. Talvez ninguém lide.

Pensei muito se deixaria meus filhos bem. Pensei se havia feito tudo o que tinha que fazer pela minha família. Pensei na minha esposa, nos meus pais e em como muitas vezes a gente vai empurrando a vida no automático, como se tivesse controle de tudo.

Mas a verdade é que a gente não tem.

Quando o corpo falha, todo o resto fica pequeno. Problema de trabalho, prazo, mensagem, preocupação do dia a dia… tudo perde força. Na hora da dor, tudo o que você quer é ficar bem.

Só isso.

Tudo correu bem na segunda cirurgia. O segundo pós-operatório foi mais tranquilo, apesar de o novo cateter possuir um fio externo que exigia cuidados e causava dores durante a noite. Fiquei com ele por pouco mais de uma semana, e a retirada foi feita no próprio consultório, a sangue frio, sem anestesia.

Foi um pouco doloroso, mas representou uma verdadeira libertação.

O que fica depois de tudo isso

Hoje é dia 7 de maio. Estou tranquilo, e minhas dores e aflições passaram.

Essa experiência me fez aprender a valorizar as pequenas e grandes coisas. Me fez entender que não somos invencíveis ou imortais. Estou tentando viver intensamente, ser o melhor pai, esposo, filho e funcionário; valorizar cada vez mais as pessoas que me amam.

Falar sobre isso ajuda. E, sinceramente, espero não esquecer dessa situação, porque foi um sofrimento que trouxe aprendizado sobre a prioridade que devo dar ao meu corpo e à minha saúde.

Sugiro que você também cuide da sua saúde.

E não se esqueça:

Beba água.


Você já passou por uma crise renal ou por algum problema de saúde que mudou sua forma de enxergar a vida? Se quiser, compartilhe sua experiência nos comentários. Às vezes, falar sobre isso também ajuda.

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